Pular para o conteúdo principal

Postagens

Lua Clara Luna Menina

A lua dá na minha janela. Isso já tem toda a poesia que eu poderia escrever em dezenas de linhas sem falar coisa alguma. Ela, clara, olha em volta e tudo o que ela vê é breu. Menina lua, me olha pra ver: Meus olhos brilham, Te devolvem a paz que me dás. Não são claros como os teus, Nem são de iluminar caminho, Mas eles nos teus Me tiram o ar Me tiram do ar Me tiram, doar Me doo, me tiro de mim. Essa lua na janela, lua menina Tem escrita em escuro Meu amor por ela Luna, clara. Lua, Clara, Luna, menina Minha noite negra só tem não ter. Clara luna, me ilumina Rogo com fé de quem já viu a paz Já tocou na paz Já beijou a paz Já deitou e rolou dentro do abraço Do espaço Pequeno entre o infinito e o agora De quem já conheceu o fim do cansaço De tanta água salgada em cachoeira De tanto amor apertado De tanto vazio entre o peito e o braço. Lua de iluminar mundo Vem trazer clareza ao meu. Vem me devolver o abraço Da paz Do fim do cansaço O beijo O infin...

Desvirtude

Eu sempre peço mais desculpas do que as necessárias. Não é excesso de humildade, acho que é excesso de culpa. Não da que eu tenho, da que eu acho que mereço. Parece complicado, mas na verdade é tão simples quanto 2+2=4 (é assim, mas há quem duvide). Eu cuido de uma flor. Ela é um presente que eu ganhei, e de todos ela é o mais importante. É uma flor, viva. Ela precisa ser cuidada. Mas quem me deu, mesmo sabendo que eu sou a pessoa mais desastrada desse mundo, insistiu pra que eu cuidasse dela, teimoso que só Ele. Mas esse é quem sabe das coisas, então vou cuidar... Acontece que, enquanto caminho com ela, a apertando contra o peito pra protegê-la do vento, da poeira, dos olhares insípidos, dos raios UV, nem percebo no caminho os atropelos e tropeço, machucando a flor de tanto descuido que me é de batismo. Tudo o que eu queria era saber cuidar-lhe, bela, porque pra mim não há outro presente que se me dera o qual fosse tão amado. Mas de tantos tropeços, desatenções, descuidos, d...

Declaração Subliminar

De todos os hipócritas, eu sou a maior. Não porque sou mais hipócrita, mas porque conheço as minhas hipocrisias. Poderia citá-las aqui em uma lista, mas não farei isso pra não ser julgada: primeira confissão. Eu poderia, e sim, seria muito fácil, esquecer das minhas convicções e me tornar uma só com a fachada que apresento às pessoas. Mas a fachada não sou eu. E o meu eu não pode ser fachada. Meu eu é contraditório, surpreendente (e clichê), aventureiro, monótono, tedioso, péssimo em matemática e anti-capitalista. Meu eu é medroso também. Tanto que ninguém sabe quem sou eu. Quem sabe, nem dessa dimensão é. Meu eu é a favor do amor, acima de tudo e de todos. Meu eu quer amar e ser amado, sem fachada, e sem hipocrisias. Mas eu sou hipócrita. E cínica. Meu eu não olha a quem. Meu eu é infantil e idiota. Bobalhão, atrapalhado, incoerente. Meu eu gosta de literatura e poesia. Meu eu faz músicas sem rima e zilhares de declarações que nunca sequer saíram da minha cabeça. Meu eu...

New Day

I wish I could drown. No, it's not about dying. I wish I could be underwater, thinking about dying. Maybe even get there, in the death, experiencing the darkness of nothing, the "no tears, no pain" life for a few seconds, then get back to live. Breathe in the air of a not-dead-anymore person, just for living in this paradise called "not being me" for some short time. The pleasure of having a second chance. I'd like to drown and be under my biggest fear, wanting it to consume me and make me understand that it's stronger than me, and it can and will control me, and it will have my life in its arms, giving me no other option but giving up. I'd like to live something concrete. Somenthig harder than me. Something that shakes me up. Something that makes me wonder why did I ever had choices to make, if we're all going under the same strength that will make our bodys like dancers in a concert, doing premeditated and repetitive movements, going agains...

Novo Dia

Eu queria me afogar. Não, isso não é sobre morrer. Eu queria poder ficar em baixo d'água, pensando em morrer. Talvez até chegar lá, na morte, experimentando a escuridão do nada, a vida "sem dor nem lágrimas" por alguns segundos, e então voltar a viver. Inspirar os ares de alguém não mais morto, só pra viver esse paraíso chamado "não ser eu" por algum tempo, ainda que curto. Pelo prazer de ter uma segunda chance. Eu gostaria de ficar submersa no meu maior medo, querendo ele me consumir e me fazer entender que ele é mais forte, e que ele pode e vai me controlar, que ele terá minha vida em seus braços, não me dando outra opção senão desistir. Eu queria viver algo concreto. Alguma coisa mais firme que eu. Algo que me sacuda. Algo que faça com que eu me pergunte porque, alguma fez na vida, eu tive que fazer escolhas, se todos nós vamos parar imersos na mesma força que fará os nossos corpos serem como dançarinos em um concerto, fazendo movimentos premeditados e re...

Abraço

Não abrace a lágrima com tanta força. Uma hora ela vai sair, e é melhor que ela saia sem rancor contra os olhos que a abrigaram por tanto tempo. Que ela saia livre, amando esses mesmos olhos E contando pras próximas lágrimas que a liberdade existe, E que o abraço dos olhos é o medo de perder. Deixa ela ir embora, como quem ama e quer o bem. Deixa sair e correr pelo rosto cansado, que lágrima é água salgada igual de mar: Tem beleza (a de te tornar humano) e tem força (de criar torrente). Não abrace a lágrima com tanta força. Se deixe amar a ponto de libertar, E ser amado a ponto de fazer querer voltar.

Feliz dia da Luta

Por um tempo pensei: Má que diaxo comemorar internacionalmente por uma pessoa ter nascido com uma vagina e peitos! Não faz sentido algum isso! PORQUE A GENTE NEM ESCOLHE! Como é que faria sentido eu receber parabéns, eu nem fiz nada?! Mas aí eu me lembro de onde veio isso. E eu quero lembrar vocês também. Meus parabéns vão para aquelas que conseguiram visibilidade por queimarem sutiãs, só pra dizer: estamos aqui, e sim, conseguimos enxergar a injustiça que vocês fazem com a gente. Parabéns por vocês serem do mesmo sexo daquelas que foram trocadas como mercadorias depois da noite de núpcias, por não terem sangrado depois do sexo com seus maridos arranjados, e foram devolvidas a seus pais como impuras. Parabéns por serem de mesmo sexo que aquelas que foram queimadas na fogueira por não frequentarem a igreja, que foram julgadas como bruxas por qualquer que fosse o critério, e humilhadas em praça pública por não serem aquilo que a Igreja prega. Minhas parabenizações são pra vocês, ...