Pular para o conteúdo principal

Postagens

Pra ser completo.

Então é isso. Cala a boca, você não tem mais direito de sonhar. Bota o pé no chão, garota, ninguém acredita em você. Você vai apodrecer dona de uma padaria suja numa esquina da capital onde nasceu. Você vai ser como a gente: vai parar de querer mudar o mundo, isso é coisa da idade... Você tinha era que aprender a sonhar um sonho que coubesse na cabeça deles. Ela fica chorando as lágrimas ignoradas até por ela mesma. Foi um dos momentos mais sombrios de todos os 17 anos e meio que ela viveu. Um frase que fez ela querer, pela primeira vez, se conformar em ter sido nascida e criada no meio de conformados seres humanos decadentes de esperança. Veio de um lugar onde ninguém questiona porque o mendigo dorme onde o seu carro estaciona, ou porque o menino de onze anos corre com uma bolsa alheia na mão. Vem de um lugar morto, preto e branco, quadrado. Se você é menina seu cabelo tem que ser liso e abaixo do ombro. Se é menino tem que cortar o cabelo que nem de homem. Tem que ir à missa domi...

crônicas de um ônibus em movimento (crônica dos hífens).

E a incrível capacidade das pessoas de se tornarem melhores-amigas-de-infância em 15 minutos de conversa. Subi as escadas e me escorei em um daqueles apoios de metal do transporte coletivo. Estava tudo escuro lá fora, tudo azul escuro, meio cinza-cor-de-cidade-grande. Acho que a minha cara mostrava o domínio que o tédio teve sobre mim durante aqueles 45 minutos de viagem, em pé. Mas fomos animados eu, minha mochila estampada, uma prima, outro primo e meu irmão voltando do cinema para um falso-churrasco. Eu e minha animação ignorando todo mundo. Todo mundo, menos a conversa do motorista com a senhora quase-simpática. E quer saber? Não ignore as conversas de ônibus. Todo mundo precisa ter um motivo pra rir. -- Você tem filhos? -- Três! -- Sério? Leva isso aqui pra eles... -- estendendo mão com algumas balinhas. -- qual a idade deles? -- Um tem um e meio, outra tem três e o outro tem oito. (...) -- Eu perdi meu neto de 18 anos num acidente de carro. (...) -- Meu primo se envolveu...

"Ô Caroline*, eu preciso te dizer..."

Vejamos... cartas são tão clichês!... Flores?... Não. Romântico demais. Fotos... ela já vai ganhar. Uma abraço é pouco e eu já dei. Ok. Eu não queria, mas pra ela eu só tenho as palavras. Que sejam dignas, pois. Aniversários são chatos; mas, confesso, uma ótima desculpa pra ter um dia que é só seu. Na minha opinião, para pessoas especiais todos os dias deveriam ser mais do que um dia comum. Todos os dias deveriam ser dias de risada sem fim, dias comemorados, dias de: "Hoje o dia é meu!". Todos os dias deveriam ser de abraços e mais abraços e sinceros desejos de felicidade. Sinceros. E eu, sinceramente, acredito ter feito dos teus dias dias de aniversário. Aqueles dos sorrisos, dos desejos de felicidade, dos longos e significativos abraços. E o que te faz especial pra mim é inexplicável. Sabe aquela coisa clichê de destino? Aquilo de carma ou coisa assim? Aquelas coisas que todo mundo tenta explicar mas ninguém consegue. O que mexe com o seu rosto quando você vê aquela pess...

Frequência

Ela acorda a cada dia num compasso diferente. De vez em quando é um compasso simples, um quatro por quatro marcado, que só acompanha as seis cordas tão conhecidas. Esse é o dia que tudo tá tranqüilo, tudo tem o jeito Chico Buarque de falar. Tudo tem um “tudo bem” no final da frase. No dia seguinte ela aparece meio rock. Acorda com aquele fogo de querer fazer tudo agora, tudo, tudo. E pega pra fazer exercício de física, e ficar quieta não dá, e não tá com saco pra mimimi (...). Acorda quando o sol raia de novo com o pop romântico batido; a letra que te deixa vendo tudo de um jeito diferente. Enxerga flores brancas em todas as roupas e coraçõezinhos saindo das bocas alheias. Pra nas próximas vinte e quatro horas acordar um pouco Elvis, meio Marlyn. É o dia que todos os olhares são mais do que acasos, todos são profundos, todos são mal-intencionados; todos são de uma ambiguidade única, personalizada.  Pra levantar Cazuza no dia que segue. Revoltada com o mundo e cantando pra todo mun...
Foi o seu jeito de olhar pra tudo e não prestar atenção em nada que me chamou a atenção. Aqueles brincos fluorescentes que contrastavam com o seu cabelo castanho escorrido, que caiu pelo ombro na primeira vez que você falou o meu nome, que saiu meio falho, gaguejado e assustado no medo de errar. Eu também reagi assim, gaguejado, falho e assustado por você ter falado o meu nome. Para provar o meu orgulho próprio, só um sorriso escondido no canto da boca. Queria saber onde eu moro. Quando eu falei ela não ficou surpresa... provavelmente já sabia, mas queria escutar a minha voz direcionada a ela. E essa foi a nossa primeira conversa. Pelo resto da tarde, trocamos poucas palavras ou sorrisos. Mas foram todos eles inteiramente nossos, atenciosos, carinhosos e claros. Saí de lá com cada um deles na cabeça. E assim acordei; com eles gravados como se fossem especialmente únicos, ou unicamente especiais. *** Já não sei mais como fingir um sorriso que não é meu pra você; e só tem dois dia...

Sexta.

E lá ia ela com sua triste felicidade de sexta-feira à noite. Voltava ela pra casa correndo, com os saltos na mão direita enquanto com a esquerda tentava equilibrar na orelha o celular com um número discado; era o primeiro da agenda. Chamara Augusto e seu carro, que não a abandonaria no meio da R. Dom Quixote, no centro de uma metrópole qualquer, ao léu, sereno e garoa até, que ameaçava cair em minutos. Augusto chegara cinco minutos atrasado; atrás da garoa. A relaxava tanto que não fez questão de procurar uma marquise, um toldo, um ponto de ônibus, um teto. O que provocou que, antes de Augusto, três carros parassem em frente a ela pedindo pagar por hora de atenção, aos quais reagiu rude, com palavrões intermináveis e um gesto obsceno qualquer. Ao vê-la, o rosto reagiu com piedade, ódio, nojo, amor fraternal e todos os outros. Ela chorava disfarçadamente em baixo dos cabelos. Desceu do carro e foi  até ela, jurando pra si mesmo que na próxima sexta as coisas seriam ...

Chá de Alface

É difícil ter insônia. Sempre tive vontade de escrever sobre isso. No final de 2009 eu escrevi uma música chamada Chá de Alface; que, pra quem gosta de interpretar, vai ser um prato e tanto. Mas qual o sentido do nome da música? Chá de Alface é um remédio natural pra dormir, segundo a minha avó (e a internet {: ). Bom, como segunda composição conhecida (a nível pessoal) e como sendo a primeira composição já com o nome Guardavento, essa música é realmente importante para mim/nós. Já foi dedicada em shows para a Raisa, granda amiga (e acredito que também fã) da banda, bem como para a Luisa (Rampa) e, com muito carinho, a todos que nos apoiaram desde o início. O resto é com vocês. Enjoy- Entrei no carro, as janelas embaçadas... Eu soluçava feito uma criança em birra, Deixei o frio do lado de fora; ninguém me ouvia. Joguei os meus sapatos, casaco encharcado. O chão frio esperava as gotas infinitas, Um banho quente e a cama me esperavam; preciso dormir. Em meus olhos vermelhos A...