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Foi o seu jeito de olhar pra tudo e não prestar atenção em nada que me chamou a atenção. Aqueles brincos fluorescentes que contrastavam com o seu cabelo castanho escorrido, que caiu pelo ombro na primeira vez que você falou o meu nome, que saiu meio falho, gaguejado e assustado no medo de errar. Eu também reagi assim, gaguejado, falho e assustado por você ter falado o meu nome. Para provar o meu orgulho próprio, só um sorriso escondido no canto da boca. Queria saber onde eu moro. Quando eu falei ela não ficou surpresa... provavelmente já sabia, mas queria escutar a minha voz direcionada a ela. E essa foi a nossa primeira conversa. Pelo resto da tarde, trocamos poucas palavras ou sorrisos. Mas foram todos eles inteiramente nossos, atenciosos, carinhosos e claros. Saí de lá com cada um deles na cabeça. E assim acordei; com eles gravados como se fossem especialmente únicos, ou unicamente especiais. *** Já não sei mais como fingir um sorriso que não é meu pra você; e só tem dois dia...

Sexta.

E lá ia ela com sua triste felicidade de sexta-feira à noite. Voltava ela pra casa correndo, com os saltos na mão direita enquanto com a esquerda tentava equilibrar na orelha o celular com um número discado; era o primeiro da agenda. Chamara Augusto e seu carro, que não a abandonaria no meio da R. Dom Quixote, no centro de uma metrópole qualquer, ao léu, sereno e garoa até, que ameaçava cair em minutos. Augusto chegara cinco minutos atrasado; atrás da garoa. A relaxava tanto que não fez questão de procurar uma marquise, um toldo, um ponto de ônibus, um teto. O que provocou que, antes de Augusto, três carros parassem em frente a ela pedindo pagar por hora de atenção, aos quais reagiu rude, com palavrões intermináveis e um gesto obsceno qualquer. Ao vê-la, o rosto reagiu com piedade, ódio, nojo, amor fraternal e todos os outros. Ela chorava disfarçadamente em baixo dos cabelos. Desceu do carro e foi  até ela, jurando pra si mesmo que na próxima sexta as coisas seriam ...

Chá de Alface

É difícil ter insônia. Sempre tive vontade de escrever sobre isso. No final de 2009 eu escrevi uma música chamada Chá de Alface; que, pra quem gosta de interpretar, vai ser um prato e tanto. Mas qual o sentido do nome da música? Chá de Alface é um remédio natural pra dormir, segundo a minha avó (e a internet {: ). Bom, como segunda composição conhecida (a nível pessoal) e como sendo a primeira composição já com o nome Guardavento, essa música é realmente importante para mim/nós. Já foi dedicada em shows para a Raisa, granda amiga (e acredito que também fã) da banda, bem como para a Luisa (Rampa) e, com muito carinho, a todos que nos apoiaram desde o início. O resto é com vocês. Enjoy- Entrei no carro, as janelas embaçadas... Eu soluçava feito uma criança em birra, Deixei o frio do lado de fora; ninguém me ouvia. Joguei os meus sapatos, casaco encharcado. O chão frio esperava as gotas infinitas, Um banho quente e a cama me esperavam; preciso dormir. Em meus olhos vermelhos A...

Orgulho (?)

Sim, sou orgulhosa demais pra dizer o que você acha que é verdade. E que realmente deve ser mesmo. É tenho sido tão ignorante que ando não acreditando em nada que eu mesma não tenha concluído; e ando duvidando até disso também. Aliás, tem tanto tempo que ignoro tudo e todos que tenho passado a ignorar a mim mesma. Depois que admiti uma (provável (ou não)) verdade, tenho observado o quanto é imbecil sentir seja lá o que for por você. E pior que isso, ter acreditado que sinto. Por que sou sim ignorante o suficiente pra não sentir. Aliás, sou ignorante a ponto de pensar que eu não sinto. É isso. Falando nisso, com sua licença, vou ignorar o resto dos meus pensamentos e parar de digitar bobagem. Eu amo você. Orgulhosa de mais pra te dizer que sim, humilde demais pra acreditar que você pode entender. E vou parar de escrever sobre isso - você definitivamente me faz mal.
Eu sempre pensei que quando eu não soubesse como chamar aquilo que eu sentia, eu poderia automaticamente chamar de amor; porque se ninguém até hoje nunca soube descrever, então eu nunca conseguiria identificar. Mas isso mudou de uns tempos pra cá, quando precisei tirar essa teoria do papel. Não vai mudar nada na sua vida se eu vier aqui e ficar escrevendo o texto da última novela de Gilberto Braga (nem da primeira, já que seria tudo a mesma coisa) . Porque pra mim é clichê. Tentar descrever o amor é clichê. Não conseguir descrever o amor é clichê. Escrever sobre não conseguir descrever o amor é clichê. Aliás, relacionado ao amor, a única coisa que não é clichê é ele mesmo. Ou ele até é, só que pra gente sempre parece novidade. Porque o amor, na verdade, não é nada. O amor é o seu botão interno de auto-destruição. Ele é a falta de sentimento, é o tédio, é a cabeça vazia. Ele é um bug. Tudo o que você não quer pra si, pode chamar de amor também. No final vai tudo pro mesmo lugar do seu...

a verdade .

Devo avisar que o texto abaixo contêm termos inadequados para menores de 14 anos, ou os de qualquer idade que possuem pudor ou algum resto de puritanismo. (...) E sim, o mundo é um cabaré, um puteiro de verdades! Cada uma delas vem com seu salto 15 e meia arrastão, tentando te convencer a gastar seu resto de dignidade quando for pra cama com uma delas. E por incrível que pareça, a que te conquista já teve 178 nomes diferentes, um pra cada caso, um pra cada meia, um pra cada cafetão, um pra cada fio de cabelo deixado numa camisa qualquer que no dia seguinte a esposa achou. A que já foi comida por teu avô, por teu pai e até pelo seu melhor amigo, que te indicou porque essa é boa . A verdade que você pegou tem gosto do álcool bebido 4 horas antes de você chegar; tem gosto do que não te deixa pensar em outra coisa, ou comer outra delas. Aquela verdade agora é sua e qualquer outro que chegar perto de tomá-la pra si vira ameaça. E vira alvo, vira implicância, vira comida, vira-lata. Vo...